Posted by on Ago 25, 2014 in Blog | No Comments
O que é retradução?

Retradução é a tradução de um texto que já foi traduzido. Há diversas maneiras de retraduzir um texto: retraduzir um texto original que já foi traduzido para um idioma estrangeiro, traduzir para um novo idioma a partir de uma tradução (ao invés do texto original) ou retrotraduzir um texto para o idioma original.

A retradução é uma prática que ainda não foi completamente estudada, mas que está ficando cada vez mais importante em círculos literários, principalmente na tradução de textos literários antigos. Com a evolução de uma língua, as traduções ficam datadas, o que explica a razão pela qual as traduções são “retraduzidas” para que sejam atualizadas e enriquecidas do ponto de vista linguístico. No entanto, existem diversos debates em torno da retradução de clássicos literários com o objetivo de atualizá-los para o vernáculo atual.

Diversas variáveis entram em ação e nem sempre é justificado depender de uma retradução para verificar uma tradução, especialmente em literatura, como mostra este recente artigo. Adam Thirwell, um romancista e crítico, publicou um livro que junta 12 histórias cujos originais (que não são publicados) foram escritos em dinamarquês, espanhol, holandês, japonês, alemão, árabe, russo, servo-croata, italiano, húngaro, inglês e italiano novamente. Essas histórias foram traduzidas para 18 idiomas diferentes por 61 autores. O objetivo desse livro era provar que é possível traduzir uma história que foi escrita em um idioma que o tradutor não domina, usando técnicas de retradução. 10 histórias foram traduzidas para o inglês, as outras duas permaneceram em alemão e espanhol. Essas histórias foram então traduzidas para um novo idioma, a partir dessas traduções inciais – a cadeia mais longa inclui seis traduções em inglês. Os tradutores não tiveram acesso aos textos originais e utilizaram apenas as traduções anteriores para criar as suas próprias traduções.

O principal objetivo deste projeto era mostrar como as traduções poderiam transformar de maneira inteligente (ou não, dependendo do caso) as versões anteriores das histórias. Muitas das retraduções funcionaram muito bem, enquanto outras ficaram muito distantes do significado original do texto.

O resultado deste projeto ambicioso é uma versão literária do que chamamos em português de “telefone sem fio” (e que os franceses chamam de “telefone árabe”), o que é absolutamente fascinante! A sucessão de retraduções algumas vezes resultam em versões ligeiramente maluquinhas. Por exemplo, “je peux reprendre mon souffle”, que significa “eu consigo respirar” em francês, se transformou na versão inglesa em “I must slip away to reprimand my souffle”, ou “eu devo me retirar para dar uma bronca no meu suflê”.

Para saber mais, por favor, visite:

http://www.theguardian.com/books/2013/aug/11/multiples-adam-thirlwell-review-portobello

Outros recursos (em francês):

http://www.lesgrandsdebats.fr/Debats/La-retraduction-des-classiques-est-elle-necessaire

http://www.academia.edu/2024083/La_retraduction_Etat_des_lieux

http://blog-de-traduction.trustedtranslations.com/2012/03/30/de-lutilite-de-la-retraduction/

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